Meu nome é Dani Gaspariam, colorista, 25 anos.
Me defino como uma pessoa agênero, não me enxergo em nenhum padrão de gênero. Tenho corpo do sexo feminino, mas isso não importa! Sempre fui fora dos padrões impostos pela mídia; acima do peso, bissexual, gostos diferentes e ainda assim isso sempre me fez muito feliz!

Na escola, era considerada a menina mais feia. Na sétima série, ganhei o concurso da menina mais feia da sala.
Já casei, tive um relacionamento abusivo e apanhei de um companheiro, fui considerada a louca, a estranha, a que deveria ser consertada.

Engravidei e perdi a neném com 5 meses de gravidez, e hoje tenho as marcas de uma gestação sem filho. Já passei por muita coisa ruim, mas sempre dei a volta por cima. São 25 anos odiando meu corpo, tomando remédio para emagrecer, sendo exposta na internet por não ser o padrão.

Já sofri de bulimia, mas nunca contei aos meus pais. Já fui estuprada por ser “mulher”, minha família me chama de gorda, a “vergonha da família”. Já disseram que se eu pesasse 45kg, seria a mulher perfeita…

“Um rosto tão lindo em um corpo tão horrível!”. Criada em uma família tradicional Armênia, sempre soube que nascer mulher nunca seria fácil, na real, ser mulher nunca é… mulher cis ou trans, nunca é fácil. Todos os dias encaro a realidade de ter nascido mulher e não me sentir no meu real corpo.

Mas a maior forma de mostrar que você é o/a melhor, é sendo feliz. Mostrando para que e porque você veio ao mundo.